/home/cdljpublicidade/www/wp-content/themes/yaya/single.php

Novidades

Representatividade na publicidade não é favor

Por Vanessa Ventura

Sabe quando dizem que é complicado ter filho com o mundo “do jeito que tá”? Pois é. As coisas não estão fáceis. Nem para as pessoas e nem para as agências de publicidade.

Crise política de um lado, economia balançando do outro, uma sociedade entendendo como se manifestar na era do diálogo digital… O mundo está em desconstrução. E quem escolhe levantar a bandeira da comunicação precisa saber que, nessa mistura toda, a representatividade é um conceito que não pode e nem deve ser ignorado.

via GIPHY

Para começo de conversa, representatividade vende. Os números comprovam: segundo estudo da McKinsey, empresas com diversidade de gênero têm chance de aumentar sua lucratividade em 21%. Já as companhias com equipes etnicamente diversas têm 33% de possibilidade de aumento dos lucros.

Há quem pense que adotar diversidade em seus trabalhos ou tornar a equipe mais múltipla é uma benfeitoria. Que nada. A representatividade pode até estar na prateleira do politicamente correto, mas seus resultados vão muito além disso. Um ótimo exemplo é o 20/20, da multinacional JWT, que pretende ocupar pelo menos 20% das vagas da empresa com profissionais negros até 2020. A iniciativa movimenta o mercado, dá oportunidades de desenvolvimento social e ainda faz com que a agência se posicione de maneira afirmativa no mercado, destacando-a em meio às demais.

Você pode dizer, neste ponto do texto: “Mas hoje em dia não é preciso pensar em representatividade, o mundo já é diverso e inclusivo”. Será?

O mercado ainda tem muito a mudar e transformá-lo é uma responsabilidade que perpassa o nosso dia a dia. Para observar a estrada que temos pela frente, basta se fazer perguntas simples: se aumentou o número de negros nas campanhas de publicidade, por que só 35 em cada mil funcionários das cinco maiores agências do Brasil são afrodescendentes? Se mulheres têm mais acesso às universidades, por que, quando pensamos nos grandes nomes do mercado publicitário, poucos são femininos?

via GIPHY

O perigo da representatividade é achar que ela é um discurso para agradar clientes e deixá-la restrita à escolha do modelo negro no banco de imagem. Isso é bonito, mas não muda nada. Ter várias caras estampando publicidade é bom, mas melhor ainda é ter essa multiplicidade de olhares colaborando para a construção de uma comunicação mais completa dentro das empresas.

Comunicação é conversa. E você não bate papo com alguém se não entende nada sobre a vida dessa pessoa. Só estando a par da realidade do seu interlocutor você saberá como comunicá-la e como transformar o seu discurso em algo relevante, que engaja e conecta. Conexão, por sinal, é o primeiro passo para fidelizar um público e criar uma relação que dura mais do que uma simples compra. É o que faz o consumidor amar, defender, se sentir parte da marca.

Representatividade é essencial para formar uma lovemark.

Fazer com que o público se veja representado na comunicação não tem nada a ver com ser bonzinho, mas com buscar a eficácia da transmissão da mensagem. Nenhuma marca comunica para um público inerte. Pensar que um anúncio impacta pessoas somente porque o trabalho publicitário tem qualidade é um erro. Os consumidores fazem parte de toda e qualquer comunicação: veem, interpretam, compartilham nas redes sociais, comentam com os amigos, viralizam no Whatsapp. Dispense a representatividade ou use-a de forma leviana e, bum, você está a um passo de ter uma crise de imagem.

Às vezes, o que falta mesmo é se perguntar. Então, pergunte-se.

Sabemos o nosso papel na criação de uma sociedade melhor? Conhecemos o caminho para chegar ao resultado, ou ainda estamos tentando interpretar o briefing?

É hora de sair da discussão entre ter ou ser, e pensar no fazer.

Bora?

via GIPHY